Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado Durante muitos anos, o café robusta foi visto apenas como um grão comum, destinado principalmente à indústria. Em Rondônia, essa história começou a mudar quando agricultores familiares passaram a investir em qualidade, inovação e cooperativismo. Hoje, cafés produzidos por essas famílias conquistam prêmios, cruzam oceanos e chegam às xícaras de consumidores em países como Coreia do Sul, China, Alemanha e Espanha. No centro dessa transformação está a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (Lacoop Amazônia), criada em 2017, quando um grupo de produtores percebeu que o café produzido na região tinha características únicas, mas enfrentava um desafio: comercializar microlotes de cafés especiais. "A dificuldade que se tinha em comercializar microlotes de café fez com que reunissem um grupo de produtores e começasse a ideia de se criar uma organização que pudesse fazer isso por eles. Daí nasceu a Lacoop", explica o diretor-presidente da cooperativa, Nildo Pereira. A partir da criação da cooperativa, os produtores passaram a trabalhar de forma coletiva para elevar o padrão dos cafés produzidos nas propriedades familiares. O foco deixou de ser apenas a produtividade e passou a incluir qualidade, sustentabilidade e agregação de valor ao produto. LEIA TAMBÉM: MP denuncia pessoas por sonegar mais de R$ 7 milhões em ICMS com venda irregular de gado Governo remaneja R$ 231,5 milhões da Saúde e muda o destino de verba prevista para o Heuro Da lavoura à xícara Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado Reprodução/LaCoop Amazônia Segundo Nildo Pereira, o diferencial do café produzido em Rondônia começa nas próprias características da Amazônia. O clima, a umidade e a nebulosidade influenciam o desenvolvimento dos grãos e ajudam a formar um perfil sensorial próprio, que hoje distingue o robusta amazônico no mercado de cafés especiais. "Os cafés especiais na Amazônia e em Rondônia surgiram justamente pelo diferencial que é produzir na região amazônica, pelas características que esse produto tem em função de tudo que cerca a Amazônia, clima, nebulosidade, umidade. Tudo isso faz com que o café da Amazônia, o café de Rondônia e, em especial, o café robusto amazônico, o Matas de Rondônia, tenha características únicas", disse. Além das condições naturais, a cooperativa passou a orientar os produtores sobre boas práticas de manejo, uso racional de agroquímicos e protocolos de produção voltados à qualidade e à sustentabilidade. A proposta, segundo o diretor, é buscar um equilíbrio entre produtividade, preservação ambiental e retorno financeiro para as famílias. "A forma de produzir o que mudou foi, de fato, alguns cuidados culturais, alguns tratos culturais que vêm de encontro com a qualidade, o zelo pelo uso racional dos agroquímicos de forma que não viesse a interferir na qualidade do café", explicou. Qualidade que abriu mercados Café Robusta Amazônico conquistou prêmios e chegou a mercados internacionais Reprodução/LaCoop Amazônia O investimento na qualidade começou a refletir nos resultados. Ao longo dos últimos anos, cafés produzidos por cooperados passaram a conquistar espaço nos principais concursos de cafés especiais de Rondônia e abriram portas para novos mercados. "Hoje 70% de todos os cafés premiados em Rondônia, de uma certa forma, são de pessoas diretamente envolvidas na Lacoop", informou. O reconhecimento também ajudou a ampliar a presença do robusta amazônico no mercado internacional. Os grãos produzidos pelos cooperados já foram exportados para países da Ásia e da Europa, enquanto o mercado brasileiro continua sendo o principal destino da produção. "Os cafés da cooperativa já chegaram a mercados asiáticos, principalmente Coréia, China, além de países da Europa, Alemanha", disse. Mais do que reconhecimento, os prêmios também mudaram a forma como muitos produtores comercializam o café. Em vez de vender apenas o grão cru, parte dos cooperados passou a investir em marcas próprias e em todas as etapas de beneficiamento, agregando valor ao produto. "Grande parte dos produtores premiados criaram as suas próprias marcas, estão fazendo o ciclo completo, torrando, moendo, empacotando e colocando nas grandes cafeterias Brasil afora", informou. Para Nildo Pereira, essa transformação é resultado de um trabalho construído ao longo dos últimos anos para mostrar que o robusta amazônico poderia ser reconhecido não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade e pela identidade. "Caracterizar o café produzido aqui como único, criar uma característica para ele, foi um diferencial, foi o que de fato fez com que hoje estivesse no nível que nós estamos", explicou. Café Robusta Amazônico Reprodução/LaCoop Amazônia
De Rondônia para o mundo: conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado
Escrito em 14/07/2026
Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado Durante muitos anos, o café robusta foi visto apenas como um grão comum, destinado principalmente à indústria. Em Rondônia, essa história começou a mudar quando agricultores familiares passaram a investir em qualidade, inovação e cooperativismo. Hoje, cafés produzidos por essas famílias conquistam prêmios, cruzam oceanos e chegam às xícaras de consumidores em países como Coreia do Sul, China, Alemanha e Espanha. No centro dessa transformação está a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (Lacoop Amazônia), criada em 2017, quando um grupo de produtores percebeu que o café produzido na região tinha características únicas, mas enfrentava um desafio: comercializar microlotes de cafés especiais. "A dificuldade que se tinha em comercializar microlotes de café fez com que reunissem um grupo de produtores e começasse a ideia de se criar uma organização que pudesse fazer isso por eles. Daí nasceu a Lacoop", explica o diretor-presidente da cooperativa, Nildo Pereira. A partir da criação da cooperativa, os produtores passaram a trabalhar de forma coletiva para elevar o padrão dos cafés produzidos nas propriedades familiares. O foco deixou de ser apenas a produtividade e passou a incluir qualidade, sustentabilidade e agregação de valor ao produto. LEIA TAMBÉM: MP denuncia pessoas por sonegar mais de R$ 7 milhões em ICMS com venda irregular de gado Governo remaneja R$ 231,5 milhões da Saúde e muda o destino de verba prevista para o Heuro Da lavoura à xícara Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado Reprodução/LaCoop Amazônia Segundo Nildo Pereira, o diferencial do café produzido em Rondônia começa nas próprias características da Amazônia. O clima, a umidade e a nebulosidade influenciam o desenvolvimento dos grãos e ajudam a formar um perfil sensorial próprio, que hoje distingue o robusta amazônico no mercado de cafés especiais. "Os cafés especiais na Amazônia e em Rondônia surgiram justamente pelo diferencial que é produzir na região amazônica, pelas características que esse produto tem em função de tudo que cerca a Amazônia, clima, nebulosidade, umidade. Tudo isso faz com que o café da Amazônia, o café de Rondônia e, em especial, o café robusto amazônico, o Matas de Rondônia, tenha características únicas", disse. Além das condições naturais, a cooperativa passou a orientar os produtores sobre boas práticas de manejo, uso racional de agroquímicos e protocolos de produção voltados à qualidade e à sustentabilidade. A proposta, segundo o diretor, é buscar um equilíbrio entre produtividade, preservação ambiental e retorno financeiro para as famílias. "A forma de produzir o que mudou foi, de fato, alguns cuidados culturais, alguns tratos culturais que vêm de encontro com a qualidade, o zelo pelo uso racional dos agroquímicos de forma que não viesse a interferir na qualidade do café", explicou. Qualidade que abriu mercados Café Robusta Amazônico conquistou prêmios e chegou a mercados internacionais Reprodução/LaCoop Amazônia O investimento na qualidade começou a refletir nos resultados. Ao longo dos últimos anos, cafés produzidos por cooperados passaram a conquistar espaço nos principais concursos de cafés especiais de Rondônia e abriram portas para novos mercados. "Hoje 70% de todos os cafés premiados em Rondônia, de uma certa forma, são de pessoas diretamente envolvidas na Lacoop", informou. O reconhecimento também ajudou a ampliar a presença do robusta amazônico no mercado internacional. Os grãos produzidos pelos cooperados já foram exportados para países da Ásia e da Europa, enquanto o mercado brasileiro continua sendo o principal destino da produção. "Os cafés da cooperativa já chegaram a mercados asiáticos, principalmente Coréia, China, além de países da Europa, Alemanha", disse. Mais do que reconhecimento, os prêmios também mudaram a forma como muitos produtores comercializam o café. Em vez de vender apenas o grão cru, parte dos cooperados passou a investir em marcas próprias e em todas as etapas de beneficiamento, agregando valor ao produto. "Grande parte dos produtores premiados criaram as suas próprias marcas, estão fazendo o ciclo completo, torrando, moendo, empacotando e colocando nas grandes cafeterias Brasil afora", informou. Para Nildo Pereira, essa transformação é resultado de um trabalho construído ao longo dos últimos anos para mostrar que o robusta amazônico poderia ser reconhecido não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade e pela identidade. "Caracterizar o café produzido aqui como único, criar uma característica para ele, foi um diferencial, foi o que de fato fez com que hoje estivesse no nível que nós estamos", explicou. Café Robusta Amazônico Reprodução/LaCoop Amazônia
