Polícia Federal afirma que o ex-governador do RJ Cláudio Castro usou a máquina do estado para facilitar crimes da refinaria Refit

Escrito em 16/05/2026


Polícia Federal faz buscas na casa do ex-governador do Rio Cláudio Castro A Polícia Federal fez buscas nesta sexta-feira (15) na casa do ex-governador do Rio Cláudio Castro, do PL. A Operação Sem Refino investiga fraudes no setor de combustíveis e o uso da estrutura do governo do estado para facilitar a sonegação de impostos. Os agentes também estiveram na Refit, antiga refinaria de Manguinhos, do empresário Ricardo Magro. O nome dele foi incluído na lista vermelha de foragidos da Interpol. A Refit deve quase R$ 50 bilhões em impostos. Só para o Rio de Janeiro são mais de R$ 14 bilhões. É a segunda maior devedora do estado. Mas, de acordo com as investigações da Polícia Federal, em vez de apertar a cobrança, o governo do Rio trabalhava para facilitar crimes cometidos pela empresa. A PF diz que, para isso, a Refit tinha a ajuda do ex-governador Cláudio Castro, do PL. A decisão do ministro Alexandre de Moraes afirma que Cláudio Castro direcionou todos os esforços da máquina pública em favor do conglomerado comandado por Ricardo Magro, o dono da Refit; e que contou com a participação das secretarias de estado da Fazenda, do Meio Ambiente, com a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Civil e outros órgãos do Poder Executivo. Durante três horas, os policiais cumpriram busca e apreensão no apartamento do ex-governador em um condomínio na Barra da Tijuca. Levaram malotes, um celular e um tablet. “Isso foi uma surpresa, não se esperava essa busca e apreensão. Desconheço qualquer tipo de ligação. É por isso que precisamos da decisão para entender um pouco melhor qual foi o contexto, qual é a narrativa”, diz Carlo Luchione, advogado de Cláudio Castro. A PF cita que Cláudio Castro chegou a trocar o procurador-geral do Estado para beneficiar o esquema de Ricardo Magro. No lugar de Bruno Dubeux, que atuava no processo de refinanciamento da dívida da refinaria, nomeou Renan Miguel Saad. Ele também foi alvo da operação desta sexta-feira (15). Segundo a PF, a Refit estava entulhada em dívidas fiscais e suspeitas de sonegação de tributos. Mesmo assim, a Procuradoria-Geral do estado, órgão que deveria salvaguardar o erário fluminense, atuou junto à Justiça para que a Refit voltasse à operação. A refinaria estava interditada desde a Operação Cadeia de Carbono, em setembro de 2025, quando fiscais encontraram indícios de que a empresa não refinava combustível. Importava já pronto para pagar menos impostos. A manifestação do procurador-geral do estado, Renan Miguel Saad, favorável à reabertura, teria sido encomendada pelo governador Cláudio Castro. Polícia Federal afirma que o ex-governador do RJ Cláudio Castro usou a máquina do estado para facilitar crimes da refinaria Refit Jornal Nacional/ Reprodução A Polícia Federal também esteve na sede da Refit, na Zona Norte do Rio, para cumprir mandados de busca e apreensão. O dono, Ricardo Magro, teve a prisão preventiva decretada. Os investigadores dizem que o empresário mora em Miami, nos Estados Unidos. Ele está foragido e entrou na difusão vermelha da Interpol, que inclui procurados internacionais. A decisão judicial afirma que o grupo criava empresas em cadeia para não recolher tributos na fonte e obter liminares judiciais para adiar pagamentos de impostos. O grupo é acusado também de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "E um passo importante porque quando você fala de uma refinaria como a Manguinhos, que a gente chama de refinaria fantasma, porque ela não refina faz tempo. A gente sabia, e nós tínhamos levantamentos feitos aqui no instituto sobre isso, de que era uma coisa dificílima de conseguir operar no Rio de Janeiro porque ele tinha uma blindagem espetacular que, finalmente, a gente viu um mandado de prisão internacional do Ricardo Magro", diz Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal. O estado do Rio tem dívidas que somam mais de R$ 240 bilhões. E o órgão que deveria controlar os gastos e aumentar as receitas do estado também foi alvo da operação desta sexta-feira (15): a Secretaria de Fazenda. Segundo a PF, a secretaria, durante o comando de Juliano Pasqual, nomeado pelo então governador Cláudio Castro, virou uma extensão da estrutura empresarial do grupo Refit. O ex-secretário também foi alvo nesta sexta-feira (15). Na casa de Álvaro Barcha, considerado um operador financeiro do grupo, a polícia encontrou o equivalente a R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira e apreendeu dois carros de luxo da marca Jaguar. Barcha foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. No endereço do policial civil Maxwell Moraes Fernandes, os agentes encontraram R$ 500 mil escondidos em caixas de sapato. A Polícia Federal afirma ainda que até celulares em nome de pessoas já mortas foram usados pelo grupo criminoso para dificultar o rastreio das conversas. A investigação aponta que a Refit também era protegida por um desembargador. Guaraci de Campos Vianna é acusado de atender os interesses da refinaria. Em março, o Conselho Nacional de Justiça afastou Guaraci do cargo por uma decisão envolvendo a Refit. Nesta sexta-feira (15), os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa dele. Outro nome citado pela PF é o de Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro. Segundo o inquérito, no período de 15 dias, Jonathas recebeu depósitos que passam de R$ 1,3 milhão de empresas investigadas, entre elas a Refit. Jonathas Assunção foi secretário-executivo da Casa Civil do ministro Ciro Nogueira, do Progressistas, no governo de Jair Bolsonaro. Cláudio Castro está inelegível por oito anos, acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Além dele, seis governadores do Rio foram denunciados e se tornaram inelegíveis. A defesa de Cláudio Castro afirmou que todos os procedimentos praticados sob a gestão do ex-governador seguiram critérios técnicos e legais; e que, naquele período, a refinaria de Manguinhos, atual Refit, pagou cerca de R$ 1 bilhão em dívidas. A Refit declarou que não conhece Álvaro Barcha e disse que tem parcelamento de dívidas com o governo do Rio desde 2023. A empresa afirmou, ainda, que jamais falsificou declarações fiscais para obter vantagens tributárias. As defesas do desembargador Guaraci Vianna e no senador Ciro Nogueira não responderam. A Polícia Civil do Rio informou que colabora com a operação e que o caso é acompanhado pela Corregedoria. O Jornal Nacional não conseguiu contato com os outros investigados. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM 'Cooptação integral do estado do RJ', troca de secretário e encontro em NY: PF detalha ação de Castro para favorecer Refit Número 2 de Ciro Nogueira na Casa Civil recebeu R$ 1,3 milhão da Refit em 'movimentações atípicas', segundo PF Castro estava com a mulher e filhos quando a PF chegou e abriu a porta para os agentes; celular e tablet foram apreendidos Cláudio Castro é alvo de buscas pela PF em operação contra supostas fraudes fiscais na Refit
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