Do ballet às pistas de kart: jovem do interior de SP transforma paixão por velocidade em lição de vida

Escrito em 08/09/2026


Do ballet às pistas de kart: jovem de SP transforma paixão por velocidade em lição de vida Trocar o coque e as sapatilhas de ballet pelo capacete e pela adrenalina dos motores não estava nos planos iniciais da família de Juliana Fuzimotto. No entanto, o que começou como uma simples curiosidade ao ver o irmão pilotar virou paixão, disciplina e profissão. Aos 19 anos, a jovem de Presidente Prudente (SP) é um dos nomes promissores do kartismo brasileiro e usa as pistas como uma verdadeira escola para a vida. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp A história de Juliana com o kart começou quase por acaso. A piloto, que atualmente mora em São Paulo, lembra que foi acompanhando o irmão em uma corrida que descobriu uma paixão que, pouco tempo depois, deixaria de ser apenas uma curiosidade e passaria a fazer parte da rotina. O pai havia levado o irmão para correr quando Juliana sentiu vontade de experimentar também. “Entrou na minha vida quando meu pai levou meu irmão para correr um dia e eu fiquei com vontade. Pedi para ele me levar um dia também. Sempre gostei de adrenalina, então o kart foi só uma ‘escada’”, relata Juliana ao g1. LEIA TAMBÉM De dicas de LoL a histórias com IA: gamer reinventa conteúdo de jogos após pausa de 4 anos Diário de Noiva: estudante transforma preparativos do casamento em conteúdo de humor e viraliza na web Entre plantões de 24h e treinos, bombeiro do interior de SP corre 110 km em prova de montanha A primeira experiência foi suficiente para despertar a vontade de continuar. A sensação de acelerar pela primeira vez ficou marcada na memória e fez com que Juliana quisesse voltar para a pista. “Lembro que quando eu entrei em um kart, eu queria mais e mais. A sensação de acelerar pela primeira vez é inesquecível”, conta a jovem. A brincadeira, porém, logo ganhou contornos mais sérios. Juliana começou a correr com frequência, treinar todas as semanas e participar de campeonatos. Antes de se tornar uma rotina, precisou também conquistar o apoio da família. “Nem sempre apoiaram. Na época que eu conheci o kart, eu fazia ballet, e minha mãe morria de medo de eu me machucar. Depois que eu me formei [no ballet] e comecei a insistir, eles acabaram deixando”, relembra. A jovem pilota Juliana Fuzimotto, de Presidente Prudente (SP), largou o ballet para viver o sonho do automobilismo Arquivo Pessoal/Juliana Fuzimotto Aprendizado e amadurecimento A primeira competição também serviu para mostrar que a paixão pela velocidade precisaria vir acompanhada de dedicação. Juliana conta que a estreia revelou um mundo completamente diferente daquele que conhecia e que o resultado não foi o esperado. “Foi a minha primeira etapa em uma competição, um mundo totalmente diferente do que eu já estava acostumada”, diz ao g1. A primeira corrida não foi boa, segundo ela. O resultado serviu como um aviso de que, para fazer aquilo dar certo, seria necessário treinar muito. Foi justamente nesse processo que o kart começou a transformar também a forma como Juliana lidava com os próprios desafios. Entre treinos, derrotas e momentos de pressão, ela passou a desenvolver disciplina e controle emocional. “Muito treino entre esses dois anos. Disciplina, derrotas e muito emocional, mas entre esse período, creio que cheguei mais preparada”, diz. As vitórias vieram como consequência desse processo. Juliana conquistou o título do Karteiras em 2024 e repetiu o feito em 2025. Apesar dos resultados, ela não aponta uma conquista específica como a mais importante. Se as vitórias são difíceis de separar, uma derrota permanece especialmente marcada na memória. A jovem pilota Juliana Fuzimotto, de Presidente Prudente (SP), largou o ballet para viver o sonho do automobilismo Arquivo Pessoal/Juliana Fuzimotto Silêncio Longe da imagem de alguém que vive apenas da adrenalina, Juliana diz que prefere ficar concentrada antes das corridas. O momento de preparação é reservado para observar, pensar e buscar pequenos detalhes que possam fazer diferença quando estiver na pista. “Eu gosto de ficar no meu canto, sem muitas distrações, pensando em cada detalhe da pista e como posso fazer para ficar mais rápida”, conta. Para ela, existe uma percepção equivocada de quem olha de fora e imagina que o automobilismo se resume a acelerar e frear: “As pessoas pensam que é só acelerar e frear, sem pensar na preparação, propósito e as regras por trás”. A disciplina adquirida no kart também atravessou os limites dos kartódromos. Juliana precisa conciliar os treinos e as competições com a faculdade, uma tarefa que nem sempre é simples, mas que se tornou possível justamente por causa da organização que o esporte ajudou a desenvolver. “É difícil conciliar com a faculdade, mas com a disciplina que o kart também me trouxe, acaba facilitando”, comenta. Mais do que aprender a conduzir um kart, ela acredita que o esporte a ensinou a enfrentar situações que fazem parte da vida. “[O kart] me mostrou que eu preciso ter emocional, preparação e disciplina para lidar com os desafios”, defende. A jovem pilota Juliana Fuzimotto, de Presidente Prudente (SP), largou o ballet para viver o sonho do automobilismo Arquivo Pessoal/Juliana Fuzimotto Sonho ‘pede passagem’ Juliana também enxerga sua presença nas pistas como uma forma de representação. Ela conta ao g1 que nunca sofreu preconceito diretamente, mas reconhece que outras mulheres já passaram por situações desse tipo no automobilismo. Em vez de apontar uma única referência, ela prefere reconhecer a trajetória das próprias mulheres que fazem parte do esporte: “Nenhuma piloto em específico [é referência]. Creio que todas as mulheres que começam ou que já estão no esporte, acabam me inspirando”. Aos 19 anos, Juliana já carrega dois títulos do Karteiras - um campeonato e equipe de kart amador voltado exclusivamente para o incentivo e a participação de mulheres no automobilismo - e se prepara para novos desafios. Em 2026, entre os objetivos está a participação no Campeonato Brasileiro de Kart, no Speed Park, em Birigui (SP). Para ela, estar no Brasileiro representa colocar à prova tudo aquilo que aprendeu até agora. O desejo, porém, vai além de uma competição. Juliana já projeta os próximos passos e vê a possibilidade de chegar a uma categoria de Turismo como parte de seus planos. A transformação provocada pelo automobilismo também aparece quando ela olha para a própria personalidade. “Mudou muita coisa, meu jeito de enfrentar desafios, entender o mundo e de aceitar que nada vem fácil. Como meu coach diz: ‘prego bom leva muita martelada’”, relembra. Por fim, se pudesse resumir a própria trajetória até aqui como uma volta de kart, Juliana começaria devagar, aprendendo a pista e ganhando confiança aos poucos. Depois, aceleraria até o limite. “No começo seria uma volta lenta com muitos aprendizados e uma aceleração constante. Depois, pegando confiança, acelerando até o limite”, conclui. A jovem pilota Juliana Fuzimotto, de Presidente Prudente (SP), largou o ballet para viver o sonho do automobilismo Arquivo Pessoal/Juliana Fuzimotto *Colaborou sob supervisão de Stephanie Fonseca Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
.