Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias A suspensão de recursos de vídeo e compartilhamento de tela do Discord no Brasil reacendeu o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam os possíveis impactos do uso dessas plataformas em crianças, adolescentes e jovens e quais mudanças a decisão do Discord traz para os usuários no país. ➡️A medida foi determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) após um caso envolvendo uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, foi ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. ➡️ Isso não significa que o Discord está suspenso no país. A determinação atingiu apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao g1, a mãe da menina de 13 anos fez um apelo para que pais e responsáveis fiquem atentos à rotina dos filhos no ambiente virtual. "Eu só peço que as pessoas olhem para esse caso como um alerta. Minha filha não era uma menina problemática. Era feliz, educada, carinhosa e cheia de sonhos. Mesmo assim, foi vítima de pessoas que se aproveitaram da vulnerabilidade dela pela internet”, disse a mãe. Psicólogos alertam para violência no ambiente virtual Discord Ivan Radic/Flickr Ouvidos pelo g1, psicólogos apontam que o ambiente virtual pode expor menores a graves episódios de violência psicológica. Segundo os especialistas, ferramentas de interação digital são frequentemente instrumentalizadas por redes criminosas que exploram a necessidade de pertencimento típica da adolescência para coagir e ameaçar as vítimas. Segundo o psicólogo Thiago Ayala, a internet é frequentemente utilizada por redes criminosas para explorar a vulnerabilidade dos adolescentes. O especialista explica que nessa fase da vida, o desejo natural de pertencimento e aceitação passa a ser visado por grupos que fingem oferecer acolhimento para, depois, isolar as vítimas e submetê-las a situações de controle, ameaças e coerção. “A violência psicológica nesse ambiente pode ter efeitos muito reais. Para crianças e adolescentes, que continuam desenvolvendo recursos emocionais, esse impacto pode ser intenso”, afirma Ayala. Suspender as lives é suficiente? Para o psicólogo e psicanalista Leonardo Rodrigues, é essencial que plataformas de interação humana cumpram as leis brasileiras e sejam responsabilizadas quando suas ferramentas são utilizadas para a prática ou incitação de violências e crimes de ódio, como o caso do Discord. 🔎 O Discord é uma plataforma na qual usuários conversam por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. Conhecido principalmente entre gamers, também permite transmissões ao vivo, nas quais usuários acompanham, participam e fazem comentários. O psicólogo pondera, porém, que as transmissões ao vivo, por si só, não são responsáveis pela violência. Na avaliação do especialista, o problema está também na forma como essas ferramentas são utilizadas por crianças e adolescentes, sem supervisão dos responsáveis e sem mecanismos suficientes de monitoramento. Para Rodrigues, limitar o acesso às lives e aos vídeos pode ser uma medida paliativa. “Precisamos primeiro pensar no bem-estar e segurança dos ambientes que estão sendo usados para socialização das nossas crianças e adolescentes. Os pais supervisionarem seus filhos e as plataformas monitorarem comportamentos criminosos a longo prazo seriam opções mais viáveis.” Como a família pode proteger os filhos? Segundo Ayala, a proteção de crianças e adolescentes deve ser uma responsabilidade compartilhada entre a família, a escola e os serviços de saúde. “A prevenção precisa ser compartilhada. A família oferece vínculo e supervisão, a escola ajuda na educação digital e na identificação de mudanças, e os serviços de saúde entram quando aparece sofrimento emocional ou necessidade de avaliação.” Além da responsabilização das plataformas, especialistas explicam que os responsáveis podem incorporar no dia a dia: ➡️Conhecer quais redes, plataformas e jogos os filhos usam. ➡️Saber com quem eles costumam interagir. ➡️Manter espaço para conversar sem julgamento. ➡️Ajustar o nível de supervisão à idade, maturidade e situação de risco. ➡️Não confundir privacidade com ausência de acompanhamento. O psicólogo também destaca que os responsáveis precisam conhecer a rotina digital dos filhos. Esse acompanhamento, segundo Ayala, não precisa significar invasão de privacidade. “Privacidade não precisa significar ausência dos pais, e supervisão não precisa significar espionagem. O acompanhamento deve variar conforme idade, maturidade e risco.” Rodrigues também chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar que uma criança ou adolescente passa por uma situação de violência. Entre os sinais estão: 😶Isolamento; 🗣️Redução da comunicação com a família; ❌Afastamento das interações sociais. A família não precisa esperar que uma situação chegue ao limite para buscar atendimento profissional. Segundo Ayala, é indicado procurar orientação quando as mudanças de comportamento são persistentes e passam a afetar áreas importantes da vida do adolescente, divididas em seis aspectos: Sono; Escola; Relações; Alimentação; Segurança; Atividades do dia a dia. “Há pessoas que mascaram, lidam com violências on-line sem comunicar seus pais e até mesmo são incentivadas pelos agressores a esconder isso, como foi o caso que vimos acontecer aqui em MS.” Conversar sobre internet antes que o problema aconteça Para Ayala, a segurança digital precisa fazer parte da educação cotidiana e não deve ser tratada apenas após a ocorrência de situações de risco. “Falar sobre internet precisa fazer parte da educação cotidiana, assim como falar sobre segurança na rua.” A orientação inclui ensinar crianças e adolescentes a reconhecer sinais de manipulação, exposição, ameaças e conteúdos violentos, além de reforçar que há sempre uma rede de apoio pronta para ajudar. No entanto, barreiras de comunicação podem dificultar que os jovens relatem o que estão vivendo. O receio de punições severas, como o medo de levar uma bronca ou perder o celular, pode fazer com que ocultem situações de perigo, o que reforça a importância de um canal de diálogo aberto em casa. “Escutar primeiro, evitar humilhações e mostrar disponibilidade mesmo quando ele cometeu um erro aumenta muito a chance de procurar os adultos diante de uma situação perigosa.” Segundo o psicólogo Thiago Ayala, o excesso de tempo digital torna-se prejudicial quando ocupa o espaço de necessidades fundamentais e do desenvolvimento emocional. Para fortalecer essa proteção, especialistas destacam práticas essenciais: ➡️Equilíbrio na rotina: evitar que o uso de telas substitua o sono, a convivência familiar, as atividades físicas e as formas saudáveis de lidar com as emoções. ➡️Rede de apoio diversificada: estimular relações familiares consistentes, amizades saudáveis e múltiplas fontes de pertencimento para que o adolescente não dependa da validação de um único grupo. ➡️Desenvolvimento da autoestima e do senso crítico: fortalecer a percepção de que o valor pessoal não depende exclusivamente da aprovação alheia, ajudando a reconhecer tentativas de controle e manipulação. ➡️Estímulo ao questionamento: incentivar os jovens a fazer perguntas diante de situações que causem desconforto, como identificar quem está fazendo um pedido, porque ele exige segredo e quais seriam as consequências de uma recusa. Quando procurar ajuda psicológica? A família não precisa esperar que uma situação chegue ao limite para buscar atendimento profissional. Segundo Ayala, mudanças persistentes ou que começam a comprometer áreas importantes da vida do adolescente já são motivos para procurar orientação. “É importante procurar ajuda quando as mudanças são persistentes ou começam a comprometer sono, escola, relações, alimentação, segurança ou capacidade de realizar atividades cotidianas.” Caso os responsáveis descubram que o adolescente participa de grupos nocivos ou está sendo coagido virtualmente, a recomendação é evitar uma reação impulsiva. O primeiro passo é garantir a segurança, preservar o diálogo, tentar compreender o que está acontecendo e reunir informações. “Se houver ameaça, coerção, exploração ou risco imediato, a família deve buscar ajuda especializada e os canais competentes de proteção.” Suspensão do Discord no Brasil O Discord informou nesta segunda-feira (17) que suspendeu, no Brasil, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo. A medida ocorre após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), tomada como medida preventiva com base no ECA Digital. A agência havia dado prazo de três dias úteis para que a plataforma adotasse as medidas determinadas. Em nota, o Discord afirmou que as funcionalidades de vídeo são importantes para a experiência dos usuários e disse que continuará dialogando com o governo brasileiro para que os recursos sejam restabelecidos. A empresa também publicou uma carta aberta aos usuários brasileiros, na qual afirma estar cumprindo a determinação da ANPD e classifica a situação como séria. (leia íntegra abaixo). Apesar da suspensão dos recursos de vídeo e compartilhamento de tela, o Discord continua disponível no Brasil. Segundo a própria plataforma, seguem funcionando mensagens diretas, servidores, canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio, além dos demais recursos que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela. Caso de Naviraí A adolescente de 13 anos morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela havia sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio. Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. A partir de informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas, como Discord e Telegram. A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos. A mãe também afirmou esperar que a tragédia ajude a conscientizar outras famílias. “Não existe prisão que traga minha filha de volta ou diminua a saudade. Mas espero que a responsabilização sirva para impedir que outras famílias passem pela mesma tragédia. Tenho consciência de que a morte dela salvou muitas outras vidas que estavam na mira desse grupo.” Como buscar ajuda 📞📲 Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito. Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo. O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento. Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento. Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação: Centro de Valorização da Vida Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio Instituto Vita Alere Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos) Instituto Bia Dote Carta do Discord aos usuários "Uma carta à comunidade do Discord no Brasil Você provavelmente já ouviu falar sobre uma ordem da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) do Brasil determinando a suspensão, no país, dos recursos de compartilhamento de tela e de vídeo. Estamos cumprindo a ordem e trabalhando de boa-fé com a ANPD. Como resultado, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo ficarão indisponíveis para usuários no Brasil a partir de agora. Estamos trabalhando para restabelecer o acesso a esses recursos importantes o mais rápido possível. Esta é uma situação séria. A ordem ocorre após um caso devastador envolvendo a morte de uma adolescente, na sequência de uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas. Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso. Sabemos o quanto esses recursos afetados são importantes para a nossa comunidade no Brasil. Gamers, desenvolvedores, pequenas empresas e comunidades de todos os tipos em todo o país usam o Discord para se conectar e colaborar. Amigos usam as chamadas de vídeo para passar tempo juntos e compartilham suas telas por diversos motivos, inclusive simplesmente para curtirem momentos juntos e mostrarem uns aos outros o que estão jogando. O que continua funcionando O Discord continua disponível no Brasil. A ordem se concentra nas funcionalidades de vídeo, mas você ainda terá acesso aos seguintes recursos: Mensagens diretas (DMs) e mensagens diretas em grupo Servidores de todos os tamanhos Canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio Todos os demais recursos do Discord que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela Em resumo: o Discord continua aqui para você, e estamos trabalhando para restabelecer esses recursos o mais rápido possível. Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil, assim como sabemos que ela está comprometida com o Discord. Obrigado pelo seu apoio Somos uma empresa pequena em comparação com muitas das grandes plataformas globais de comunicação, e o Discord ainda é menos conhecido por muitos legisladores e reguladores. Para quem nunca usou o Discord pessoalmente, pode ser difícil compreender a diversidade de formas pelas quais a plataforma faz parte do dia a dia da nossa comunidade. Por isso, temos um pedido à nossa comunidade brasileira. Se o Discord ajudou você a manter contato com amigos, encontrar uma comunidade ou, ainda, se você administra uma empresa de qualquer porte e utiliza o Discord para gerenciar a sua própria comunidade, compartilhe a sua história nas plataformas que você usa e marque a gente para ficarmos sabendo. Precisamos da sua voz para mostrar o panorama completo de como o Discord é usado no Brasil. Seu apoio contínuo significa tudo para nós. Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil e com o trabalho construtivo junto às autoridades brasileiras. Obrigado por continuar conosco. Manteremos você informado sobre os próximos passos." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
Violência virtual: psicólogos apontam sinais de alerta em menores após caso de suicídio de menina no Discord
Escrito em 18/08/2026
Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias A suspensão de recursos de vídeo e compartilhamento de tela do Discord no Brasil reacendeu o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam os possíveis impactos do uso dessas plataformas em crianças, adolescentes e jovens e quais mudanças a decisão do Discord traz para os usuários no país. ➡️A medida foi determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) após um caso envolvendo uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, foi ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. ➡️ Isso não significa que o Discord está suspenso no país. A determinação atingiu apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao g1, a mãe da menina de 13 anos fez um apelo para que pais e responsáveis fiquem atentos à rotina dos filhos no ambiente virtual. "Eu só peço que as pessoas olhem para esse caso como um alerta. Minha filha não era uma menina problemática. Era feliz, educada, carinhosa e cheia de sonhos. Mesmo assim, foi vítima de pessoas que se aproveitaram da vulnerabilidade dela pela internet”, disse a mãe. Psicólogos alertam para violência no ambiente virtual Discord Ivan Radic/Flickr Ouvidos pelo g1, psicólogos apontam que o ambiente virtual pode expor menores a graves episódios de violência psicológica. Segundo os especialistas, ferramentas de interação digital são frequentemente instrumentalizadas por redes criminosas que exploram a necessidade de pertencimento típica da adolescência para coagir e ameaçar as vítimas. Segundo o psicólogo Thiago Ayala, a internet é frequentemente utilizada por redes criminosas para explorar a vulnerabilidade dos adolescentes. O especialista explica que nessa fase da vida, o desejo natural de pertencimento e aceitação passa a ser visado por grupos que fingem oferecer acolhimento para, depois, isolar as vítimas e submetê-las a situações de controle, ameaças e coerção. “A violência psicológica nesse ambiente pode ter efeitos muito reais. Para crianças e adolescentes, que continuam desenvolvendo recursos emocionais, esse impacto pode ser intenso”, afirma Ayala. Suspender as lives é suficiente? Para o psicólogo e psicanalista Leonardo Rodrigues, é essencial que plataformas de interação humana cumpram as leis brasileiras e sejam responsabilizadas quando suas ferramentas são utilizadas para a prática ou incitação de violências e crimes de ódio, como o caso do Discord. 🔎 O Discord é uma plataforma na qual usuários conversam por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. Conhecido principalmente entre gamers, também permite transmissões ao vivo, nas quais usuários acompanham, participam e fazem comentários. O psicólogo pondera, porém, que as transmissões ao vivo, por si só, não são responsáveis pela violência. Na avaliação do especialista, o problema está também na forma como essas ferramentas são utilizadas por crianças e adolescentes, sem supervisão dos responsáveis e sem mecanismos suficientes de monitoramento. Para Rodrigues, limitar o acesso às lives e aos vídeos pode ser uma medida paliativa. “Precisamos primeiro pensar no bem-estar e segurança dos ambientes que estão sendo usados para socialização das nossas crianças e adolescentes. Os pais supervisionarem seus filhos e as plataformas monitorarem comportamentos criminosos a longo prazo seriam opções mais viáveis.” Como a família pode proteger os filhos? Segundo Ayala, a proteção de crianças e adolescentes deve ser uma responsabilidade compartilhada entre a família, a escola e os serviços de saúde. “A prevenção precisa ser compartilhada. A família oferece vínculo e supervisão, a escola ajuda na educação digital e na identificação de mudanças, e os serviços de saúde entram quando aparece sofrimento emocional ou necessidade de avaliação.” Além da responsabilização das plataformas, especialistas explicam que os responsáveis podem incorporar no dia a dia: ➡️Conhecer quais redes, plataformas e jogos os filhos usam. ➡️Saber com quem eles costumam interagir. ➡️Manter espaço para conversar sem julgamento. ➡️Ajustar o nível de supervisão à idade, maturidade e situação de risco. ➡️Não confundir privacidade com ausência de acompanhamento. O psicólogo também destaca que os responsáveis precisam conhecer a rotina digital dos filhos. Esse acompanhamento, segundo Ayala, não precisa significar invasão de privacidade. “Privacidade não precisa significar ausência dos pais, e supervisão não precisa significar espionagem. O acompanhamento deve variar conforme idade, maturidade e risco.” Rodrigues também chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar que uma criança ou adolescente passa por uma situação de violência. Entre os sinais estão: 😶Isolamento; 🗣️Redução da comunicação com a família; ❌Afastamento das interações sociais. A família não precisa esperar que uma situação chegue ao limite para buscar atendimento profissional. Segundo Ayala, é indicado procurar orientação quando as mudanças de comportamento são persistentes e passam a afetar áreas importantes da vida do adolescente, divididas em seis aspectos: Sono; Escola; Relações; Alimentação; Segurança; Atividades do dia a dia. “Há pessoas que mascaram, lidam com violências on-line sem comunicar seus pais e até mesmo são incentivadas pelos agressores a esconder isso, como foi o caso que vimos acontecer aqui em MS.” Conversar sobre internet antes que o problema aconteça Para Ayala, a segurança digital precisa fazer parte da educação cotidiana e não deve ser tratada apenas após a ocorrência de situações de risco. “Falar sobre internet precisa fazer parte da educação cotidiana, assim como falar sobre segurança na rua.” A orientação inclui ensinar crianças e adolescentes a reconhecer sinais de manipulação, exposição, ameaças e conteúdos violentos, além de reforçar que há sempre uma rede de apoio pronta para ajudar. No entanto, barreiras de comunicação podem dificultar que os jovens relatem o que estão vivendo. O receio de punições severas, como o medo de levar uma bronca ou perder o celular, pode fazer com que ocultem situações de perigo, o que reforça a importância de um canal de diálogo aberto em casa. “Escutar primeiro, evitar humilhações e mostrar disponibilidade mesmo quando ele cometeu um erro aumenta muito a chance de procurar os adultos diante de uma situação perigosa.” Segundo o psicólogo Thiago Ayala, o excesso de tempo digital torna-se prejudicial quando ocupa o espaço de necessidades fundamentais e do desenvolvimento emocional. Para fortalecer essa proteção, especialistas destacam práticas essenciais: ➡️Equilíbrio na rotina: evitar que o uso de telas substitua o sono, a convivência familiar, as atividades físicas e as formas saudáveis de lidar com as emoções. ➡️Rede de apoio diversificada: estimular relações familiares consistentes, amizades saudáveis e múltiplas fontes de pertencimento para que o adolescente não dependa da validação de um único grupo. ➡️Desenvolvimento da autoestima e do senso crítico: fortalecer a percepção de que o valor pessoal não depende exclusivamente da aprovação alheia, ajudando a reconhecer tentativas de controle e manipulação. ➡️Estímulo ao questionamento: incentivar os jovens a fazer perguntas diante de situações que causem desconforto, como identificar quem está fazendo um pedido, porque ele exige segredo e quais seriam as consequências de uma recusa. Quando procurar ajuda psicológica? A família não precisa esperar que uma situação chegue ao limite para buscar atendimento profissional. Segundo Ayala, mudanças persistentes ou que começam a comprometer áreas importantes da vida do adolescente já são motivos para procurar orientação. “É importante procurar ajuda quando as mudanças são persistentes ou começam a comprometer sono, escola, relações, alimentação, segurança ou capacidade de realizar atividades cotidianas.” Caso os responsáveis descubram que o adolescente participa de grupos nocivos ou está sendo coagido virtualmente, a recomendação é evitar uma reação impulsiva. O primeiro passo é garantir a segurança, preservar o diálogo, tentar compreender o que está acontecendo e reunir informações. “Se houver ameaça, coerção, exploração ou risco imediato, a família deve buscar ajuda especializada e os canais competentes de proteção.” Suspensão do Discord no Brasil O Discord informou nesta segunda-feira (17) que suspendeu, no Brasil, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo. A medida ocorre após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), tomada como medida preventiva com base no ECA Digital. A agência havia dado prazo de três dias úteis para que a plataforma adotasse as medidas determinadas. Em nota, o Discord afirmou que as funcionalidades de vídeo são importantes para a experiência dos usuários e disse que continuará dialogando com o governo brasileiro para que os recursos sejam restabelecidos. A empresa também publicou uma carta aberta aos usuários brasileiros, na qual afirma estar cumprindo a determinação da ANPD e classifica a situação como séria. (leia íntegra abaixo). Apesar da suspensão dos recursos de vídeo e compartilhamento de tela, o Discord continua disponível no Brasil. Segundo a própria plataforma, seguem funcionando mensagens diretas, servidores, canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio, além dos demais recursos que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela. Caso de Naviraí A adolescente de 13 anos morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela havia sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio. Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. A partir de informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas, como Discord e Telegram. A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos. A mãe também afirmou esperar que a tragédia ajude a conscientizar outras famílias. “Não existe prisão que traga minha filha de volta ou diminua a saudade. Mas espero que a responsabilização sirva para impedir que outras famílias passem pela mesma tragédia. Tenho consciência de que a morte dela salvou muitas outras vidas que estavam na mira desse grupo.” Como buscar ajuda 📞📲 Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito. Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo. O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento. Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento. Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação: Centro de Valorização da Vida Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio Instituto Vita Alere Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos) Instituto Bia Dote Carta do Discord aos usuários "Uma carta à comunidade do Discord no Brasil Você provavelmente já ouviu falar sobre uma ordem da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) do Brasil determinando a suspensão, no país, dos recursos de compartilhamento de tela e de vídeo. Estamos cumprindo a ordem e trabalhando de boa-fé com a ANPD. Como resultado, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo ficarão indisponíveis para usuários no Brasil a partir de agora. Estamos trabalhando para restabelecer o acesso a esses recursos importantes o mais rápido possível. Esta é uma situação séria. A ordem ocorre após um caso devastador envolvendo a morte de uma adolescente, na sequência de uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas. Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso. Sabemos o quanto esses recursos afetados são importantes para a nossa comunidade no Brasil. Gamers, desenvolvedores, pequenas empresas e comunidades de todos os tipos em todo o país usam o Discord para se conectar e colaborar. Amigos usam as chamadas de vídeo para passar tempo juntos e compartilham suas telas por diversos motivos, inclusive simplesmente para curtirem momentos juntos e mostrarem uns aos outros o que estão jogando. O que continua funcionando O Discord continua disponível no Brasil. A ordem se concentra nas funcionalidades de vídeo, mas você ainda terá acesso aos seguintes recursos: Mensagens diretas (DMs) e mensagens diretas em grupo Servidores de todos os tamanhos Canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio Todos os demais recursos do Discord que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela Em resumo: o Discord continua aqui para você, e estamos trabalhando para restabelecer esses recursos o mais rápido possível. Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil, assim como sabemos que ela está comprometida com o Discord. Obrigado pelo seu apoio Somos uma empresa pequena em comparação com muitas das grandes plataformas globais de comunicação, e o Discord ainda é menos conhecido por muitos legisladores e reguladores. Para quem nunca usou o Discord pessoalmente, pode ser difícil compreender a diversidade de formas pelas quais a plataforma faz parte do dia a dia da nossa comunidade. Por isso, temos um pedido à nossa comunidade brasileira. Se o Discord ajudou você a manter contato com amigos, encontrar uma comunidade ou, ainda, se você administra uma empresa de qualquer porte e utiliza o Discord para gerenciar a sua própria comunidade, compartilhe a sua história nas plataformas que você usa e marque a gente para ficarmos sabendo. Precisamos da sua voz para mostrar o panorama completo de como o Discord é usado no Brasil. Seu apoio contínuo significa tudo para nós. Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil e com o trabalho construtivo junto às autoridades brasileiras. Obrigado por continuar conosco. Manteremos você informado sobre os próximos passos." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
