Luan Santana durante show da turnê "Registro Histórico" Larissa Sav Aos 35 anos e prestes a completar duas décadas de carreira, Luan Santana já vê um fenômeno que talvez fosse difícil imaginar quando começou a cantar ainda adolescente: crianças que nem eram nascidas quando “Meteoro” virou um dos maiores sucessos do sertanejo agora sabem a letra e cantam a música ao lado dos pais, que também foram pequenos fãs deles. “Quando vejo uma criança cantando ‘Meteoro’ ao lado dos pais, ou uma família inteira cantando junto no show, eu entendo que aquela música deixou de ser somente minha. Ela passou a fazer parte da história das pessoas”, diz Luan, em entrevista ao g1. Luan percorre o país com a turnê “Registro Histórico”, que chega a Ribeirão Preto (SP) neste sábado (19) e revisita diferentes momentos da trajetória do cantor. Atualmente, o sertanejo soma 11,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 13,5 milhões de inscritos no YouTube. O cantor também acumula seis indicações ao Grammy Latino de “Melhor Álbum de Música Sertaneja”, em 2010, 2012, 2017, 2019, 2024 e 2026. Neste ano, ele concorre ao prêmio justamente por “Registro Histórico”, disco que dá nome à atual turnê. Luan Santana em show da turnê "Registro Histórico" Divulgação De adolescente a ídolo de diferentes gerações O romantismo acompanha Luan praticamente desde o início da carreira. Amor, paixão e relacionamentos se tornaram temas recorrentes de músicas que conquistaram jovens e adultos, mas também um público que, à primeira vista, poderia parecer distante das histórias narradas nas letras: as crianças. Quase 20 anos depois, parte da explicação para esse fenômeno está dentro de casa. Quem ouviu Luan na adolescência ou no começo da vida adulta agora apresenta as mesmas músicas aos filhos. Para o cantor, porém, a conexão não depende necessariamente de uma criança compreender a história de amor contada em uma canção. “Uma criança pode não viver ainda uma história de amor como a que está na letra, mas ela sente a melodia, a emoção, o refrão, a energia do show. E muitas vezes ela conhece a música porque os pais ou os irmãos já escutavam. Isso cria uma ponte entre gerações.” Luan Santana percorre 17 anos de carreira com multidão na Arena da Festa do Peão de Barretos 2024 Érico Andrade/g1 É justamente “Meteoro” que oferece a Luan uma das imagens mais claras dessa passagem do tempo. A música fez parte do disco “Tô de Cara”, lançado em 2009, e se transformou em um dos maiores sucessos da carreira. “Talvez esse seja um dos maiores sonhos de qualquer artista: criar algo que sobreviva ao momento em que foi lançado e encontre novas pessoas ao longo do tempo. É muito especial perceber que uma música que eu gravei tão jovem hoje faz parte da infância de uma nova geração.” Músicas como ‘fotografias’ A passagem do tempo também está no centro de “Registro Histórico”. Ao recuperar músicas de diferentes fases, Luan diz ter encontrado não apenas um repertório, mas registros da própria vida. “Quando você revisita um repertório depois de tantos anos, percebe que algumas músicas deixam de ser apenas músicas e passam a funcionar quase como fotografias da sua vida.” Luan Santana em show da turnê "Registro Histórico" Larissa Sav Mais uma vez, “Meteoro” aparece entre as faixas capazes de transportá-lo para outra época. “‘Meteoro’, por exemplo, carrega uma quantidade de lembranças que é difícil explicar. [...] Hoje, cantando algumas delas, eu consigo enxergar o menino que eu era e, ao mesmo tempo, perceber tudo o que aconteceu desde então.” Reencontrar essas canções também mudou a forma como o cantor as interpreta. Segundo Luan, algumas continuam fazendo sentido anos depois, mas por razões diferentes daquelas que existiam quando foram gravadas. Luan Santana tietado durante show da turnê "Registro Histórico" Divulgação Do CD ao streaming Os quase 20 anos de carreira coincidem ainda com uma transformação profunda na maneira de produzir, divulgar e consumir música no Brasil. Luan começou em uma época em que CDs e DVDs tinham papel central na indústria fonográfica. Desde então, acompanhou a ascensão do YouTube, das plataformas de streaming e das redes sociais, que mudaram não apenas a distribuição das músicas, mas a relação entre artistas e fãs. “Acho que a principal coisa foi entender que a tecnologia muda, os formatos mudam, mas a relação com o público continua sendo construída pela verdade. A sua essência tem de prevalecer.” Segundo ele, adaptar-se às novas linguagens sem abandonar a própria identidade foi essencial para permanecer conectado ao público. “Eu vivi todas essas transformações: CD, DVD, televisão, YouTube, plataformas digitais, redes sociais. Em cada momento, procurei entender a linguagem daquele tempo sem deixar que ela mudasse aquilo que eu sou.” Luan Santana percorre 17 anos de carreira com multidão na Arena da Festa do Peão de Barretos 2024 Érico Andrade/g1 ‘Aquele menino ainda está aqui’ Ao comparar o adolescente que começou a cantar com o artista que se aproxima dos 20 anos de carreira, Luan reconhece mudanças pessoais e profissionais. Ele está casado com a influenciadora Jade Magalhães e é pai da pequena Serena. “Eu amadureci como artista, como homem, como compositor e também na forma de enxergar a minha profissão. No começo, tudo era descoberta, sonho e uma vontade enorme de fazer dar certo. Hoje, tenho quase 20 anos de estrada e uma consciência muito maior da responsabilidade que existe em cada escolha.” Uma característica, no entanto, ele diz não querer perder. “Aquele menino que subia no palco querendo cantar para o maior número de pessoas possível ainda está aqui. Continuo tendo fome de música, de palco, de criar e de surpreender o meu público e ser surpreendido com a reação de cada um deles.” Luan Santana canta para multidão na Festa do Peão de Barretos em 2011 Érico Andrade/g1 O tamanho alcançado pela carreira também surpreende o cantor. Mais do que os lugares aos quais chegou, ele destaca a relação criada com fãs que cresceram acompanhando suas músicas. “Eu jamais imaginaria, quando comecei, que aquela música que eu fazia no interior poderia chegar a tantos lugares, atravessar fronteiras e construir uma história tão grande. Também não imaginava que teria pessoas que acompanhariam a minha carreira por quase duas décadas, passando por diferentes fases da própria vida comigo. Eu comecei querendo cantar. Hoje, percebo que a música me permitiu fazer parte da história de muita gente.” E os próximos 20 anos? Apesar do caráter retrospectivo de “Registro Histórico”, Luan diz que o projeto também funciona como ponto de partida para a próxima fase da carreira. “Eu acho que os próximos 20 anos precisam ser tão surpreendentes quanto os primeiros, mas não necessariamente iguais.” O cantor afirma que pretende continuar experimentando e mostrar ao público aspectos ainda pouco conhecidos de seu trabalho. A ideia, segundo ele, não é romper com o que construiu, mas usar essa trajetória como base para novas criações. “O novo Luan não é alguém que vai deixar para trás tudo o que construiu. É alguém que carrega essa história, mas tem coragem de continuar se reinventando.” Ele ainda não enxerga um ponto de chegada. “Se tem uma coisa que aprendi nesses quase 20 anos é que a gente nunca chega ao fim de uma história quando ainda existe música para cantar. As notas musicais são sempre as mesmas, elas que dão o tom, mas as criações vêm para completar novos sons.” Luan Santana canta com fã no show da turnê "Registro Histórico" Divulgação
Luan Santana vê pais e filhos cantarem seus hits às vésperas de 20 anos de carreira: 'Parte da história das pessoas'
Escrito em 19/09/2026
Luan Santana durante show da turnê "Registro Histórico" Larissa Sav Aos 35 anos e prestes a completar duas décadas de carreira, Luan Santana já vê um fenômeno que talvez fosse difícil imaginar quando começou a cantar ainda adolescente: crianças que nem eram nascidas quando “Meteoro” virou um dos maiores sucessos do sertanejo agora sabem a letra e cantam a música ao lado dos pais, que também foram pequenos fãs deles. “Quando vejo uma criança cantando ‘Meteoro’ ao lado dos pais, ou uma família inteira cantando junto no show, eu entendo que aquela música deixou de ser somente minha. Ela passou a fazer parte da história das pessoas”, diz Luan, em entrevista ao g1. Luan percorre o país com a turnê “Registro Histórico”, que chega a Ribeirão Preto (SP) neste sábado (19) e revisita diferentes momentos da trajetória do cantor. Atualmente, o sertanejo soma 11,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 13,5 milhões de inscritos no YouTube. O cantor também acumula seis indicações ao Grammy Latino de “Melhor Álbum de Música Sertaneja”, em 2010, 2012, 2017, 2019, 2024 e 2026. Neste ano, ele concorre ao prêmio justamente por “Registro Histórico”, disco que dá nome à atual turnê. Luan Santana em show da turnê "Registro Histórico" Divulgação De adolescente a ídolo de diferentes gerações O romantismo acompanha Luan praticamente desde o início da carreira. Amor, paixão e relacionamentos se tornaram temas recorrentes de músicas que conquistaram jovens e adultos, mas também um público que, à primeira vista, poderia parecer distante das histórias narradas nas letras: as crianças. Quase 20 anos depois, parte da explicação para esse fenômeno está dentro de casa. Quem ouviu Luan na adolescência ou no começo da vida adulta agora apresenta as mesmas músicas aos filhos. Para o cantor, porém, a conexão não depende necessariamente de uma criança compreender a história de amor contada em uma canção. “Uma criança pode não viver ainda uma história de amor como a que está na letra, mas ela sente a melodia, a emoção, o refrão, a energia do show. E muitas vezes ela conhece a música porque os pais ou os irmãos já escutavam. Isso cria uma ponte entre gerações.” Luan Santana percorre 17 anos de carreira com multidão na Arena da Festa do Peão de Barretos 2024 Érico Andrade/g1 É justamente “Meteoro” que oferece a Luan uma das imagens mais claras dessa passagem do tempo. A música fez parte do disco “Tô de Cara”, lançado em 2009, e se transformou em um dos maiores sucessos da carreira. “Talvez esse seja um dos maiores sonhos de qualquer artista: criar algo que sobreviva ao momento em que foi lançado e encontre novas pessoas ao longo do tempo. É muito especial perceber que uma música que eu gravei tão jovem hoje faz parte da infância de uma nova geração.” Músicas como ‘fotografias’ A passagem do tempo também está no centro de “Registro Histórico”. Ao recuperar músicas de diferentes fases, Luan diz ter encontrado não apenas um repertório, mas registros da própria vida. “Quando você revisita um repertório depois de tantos anos, percebe que algumas músicas deixam de ser apenas músicas e passam a funcionar quase como fotografias da sua vida.” Luan Santana em show da turnê "Registro Histórico" Larissa Sav Mais uma vez, “Meteoro” aparece entre as faixas capazes de transportá-lo para outra época. “‘Meteoro’, por exemplo, carrega uma quantidade de lembranças que é difícil explicar. [...] Hoje, cantando algumas delas, eu consigo enxergar o menino que eu era e, ao mesmo tempo, perceber tudo o que aconteceu desde então.” Reencontrar essas canções também mudou a forma como o cantor as interpreta. Segundo Luan, algumas continuam fazendo sentido anos depois, mas por razões diferentes daquelas que existiam quando foram gravadas. Luan Santana tietado durante show da turnê "Registro Histórico" Divulgação Do CD ao streaming Os quase 20 anos de carreira coincidem ainda com uma transformação profunda na maneira de produzir, divulgar e consumir música no Brasil. Luan começou em uma época em que CDs e DVDs tinham papel central na indústria fonográfica. Desde então, acompanhou a ascensão do YouTube, das plataformas de streaming e das redes sociais, que mudaram não apenas a distribuição das músicas, mas a relação entre artistas e fãs. “Acho que a principal coisa foi entender que a tecnologia muda, os formatos mudam, mas a relação com o público continua sendo construída pela verdade. A sua essência tem de prevalecer.” Segundo ele, adaptar-se às novas linguagens sem abandonar a própria identidade foi essencial para permanecer conectado ao público. “Eu vivi todas essas transformações: CD, DVD, televisão, YouTube, plataformas digitais, redes sociais. Em cada momento, procurei entender a linguagem daquele tempo sem deixar que ela mudasse aquilo que eu sou.” Luan Santana percorre 17 anos de carreira com multidão na Arena da Festa do Peão de Barretos 2024 Érico Andrade/g1 ‘Aquele menino ainda está aqui’ Ao comparar o adolescente que começou a cantar com o artista que se aproxima dos 20 anos de carreira, Luan reconhece mudanças pessoais e profissionais. Ele está casado com a influenciadora Jade Magalhães e é pai da pequena Serena. “Eu amadureci como artista, como homem, como compositor e também na forma de enxergar a minha profissão. No começo, tudo era descoberta, sonho e uma vontade enorme de fazer dar certo. Hoje, tenho quase 20 anos de estrada e uma consciência muito maior da responsabilidade que existe em cada escolha.” Uma característica, no entanto, ele diz não querer perder. “Aquele menino que subia no palco querendo cantar para o maior número de pessoas possível ainda está aqui. Continuo tendo fome de música, de palco, de criar e de surpreender o meu público e ser surpreendido com a reação de cada um deles.” Luan Santana canta para multidão na Festa do Peão de Barretos em 2011 Érico Andrade/g1 O tamanho alcançado pela carreira também surpreende o cantor. Mais do que os lugares aos quais chegou, ele destaca a relação criada com fãs que cresceram acompanhando suas músicas. “Eu jamais imaginaria, quando comecei, que aquela música que eu fazia no interior poderia chegar a tantos lugares, atravessar fronteiras e construir uma história tão grande. Também não imaginava que teria pessoas que acompanhariam a minha carreira por quase duas décadas, passando por diferentes fases da própria vida comigo. Eu comecei querendo cantar. Hoje, percebo que a música me permitiu fazer parte da história de muita gente.” E os próximos 20 anos? Apesar do caráter retrospectivo de “Registro Histórico”, Luan diz que o projeto também funciona como ponto de partida para a próxima fase da carreira. “Eu acho que os próximos 20 anos precisam ser tão surpreendentes quanto os primeiros, mas não necessariamente iguais.” O cantor afirma que pretende continuar experimentando e mostrar ao público aspectos ainda pouco conhecidos de seu trabalho. A ideia, segundo ele, não é romper com o que construiu, mas usar essa trajetória como base para novas criações. “O novo Luan não é alguém que vai deixar para trás tudo o que construiu. É alguém que carrega essa história, mas tem coragem de continuar se reinventando.” Ele ainda não enxerga um ponto de chegada. “Se tem uma coisa que aprendi nesses quase 20 anos é que a gente nunca chega ao fim de uma história quando ainda existe música para cantar. As notas musicais são sempre as mesmas, elas que dão o tom, mas as criações vêm para completar novos sons.” Luan Santana canta com fã no show da turnê "Registro Histórico" Divulgação