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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

E o trio ficou só. Sem carnaval, sem desfile

Hoje (12), sexta-feira de Carnaval, deveríamos ver as ruas de Salvador lotadas, com o calor, o suor e o som tomando conta das avenidas que se tornam palco da festa mais popular do mundo.


Por Filipe Oliveira

Não é a toa que Caetano Veloso compôs uma música que diz que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. É atrás desse caminhão que se forma um verdadeiro enxame de gente, onde a loucura dessa mistura revela a alegria da Bahia e do ser soteropolitano. Hoje (12), sexta-feira de Carnaval, deveríamos ver as ruas de Salvador lotadas, com o calor, o suor e o som tomando conta das avenidas que se tornam palco da festa mais popular do mundo. Por conta da pandemia da Covid-19, o trio não saiu, a música não tocou, mas a saudade se fez presente e o que nos resta é a nostalgia despertada pelas lembranças de algo que aconteceu pela última vez no ano passado. 

É possível supor que nem Adolfo Antônio do Nascimento (Dodô) e Osmar Álvares Macedo (Osmar) - os músicos criadores do trio elétrico - poderiam crer que um dia estaríamos diante de um momento tão diferente e distantes de realizar a festa mais importante da cidade. Afinal, são mais de 70 anos desde que a Fobica - o verdadeiro protótipo do trio elétrico - foi montada pela dupla em 1950, e saiu às ruas de Salvador, com Dodô, Osmar e um convidado, o músico Temístocles Aragão, em 1951 com o seu som amplificado. Hoje, a banda Armandinho, Dodô & Osmar, que completa 47 anos este ano, mantém viva a história do trio elétrico, e os Irmãos Macedo (Armandinho, Betinho, Aroldo e André Macêdo) levam adiante o trabalho que herdaram do pai, por completo merecimento e dedicação.

 Armandinho Macedo considera que o trio elétrico representa o Carnaval na Bahia.Tudo aderiu ao trio elétrico para se manifestar nas ruas. Os blocos-afros, o surgimento de tantos artistas. O trio virou uma escola, um palco-escola que permite a todo artista transitar em multidões, em ver o seu grande público. Hoje em dia não daria para falar do Carnaval de Salvador sem trio elétrico, carnaval sem trio seria inconcebível”. Para Armandinho, a situação dos músicos é lamentável e necessita de atenção. “Vai fazer um ano que muitos artistas e músicos estão sem trabalhar. Para além de pensar que [o Carnaval] é uma festa, é importante ressaltar ser o trabalho de muita gente. Passar um ano sem trabalhar, sem gerar renda pesa muito na sobrevivência. Ninguém estava preparado para ficar um ano, ou mais que isso, sobrevivendo sem trabalho”, reflete.

 Apesar dos pesares, o artista baiano tem esperança que o Carnaval retorne em breve, mas espera que a festa seja repensada culturalmente e faz uma crítica à invasão de artistas de outros estados. “Os empresários são donos da rua e não os carnavalescos. Desde os anos 90 que vêm derrubando os trios independentes, perturbando o andamento dos blocos-afros que são uma maravilha baiana. É preciso rever essa questão, essas são as manifestações mais autênticas da Bahia. Nós temos valores e novos artistas baianos virão. O Carnaval tem que ser o grande momento baiano, onde tudo o que se passa em cima de um trio nas ruas mostre a cara da Bahia. Empresário não pode ficar contratando ‘sucessos não sei de onde'. Para esses artistas de fora tem os festivais anuais. Eles podem participar do Carnaval como convidados dos artistas baianos, mas não devem puxar trio elétrico como donos da rua. Isso não representa a Bahia”, enfatiza. “Que esse Carnaval sirva de chamada para a restauração da nossa festa, para que nos represente, que seja a cara da Bahia, que volte a ter a cara da Bahia, que volte a ter a nossa arte, a nossa cultura manifestada. Isso é Carnaval, o resto não é não, o resto é festival”, afirma Armandinho.

 Para o guitarrista Aroldo Macedo, o trio elétrico, através da música, dá identidade ao Carnaval da Bahia. “Sem a música ele [o trio] não é nada, é só uma estrutura. Aliás, ele foi inventado através da música, da necessidade de se ter um instrumento elétrico impactante para ser levado às ruas. É a música que embala os carnavais e o trio uma ferramenta para que isso aconteça”. O músico comentou sobre a situação dos artistas diante da pandemia do coronavírus. “A gente está sem música, não só no Carnaval, mas estamos nessa pandemia toda sem poder tocar também em outros palcos. Isso é muito péssimo para aqueles que vivem e trabalham com a música. É um silêncio total e de todos, é um silêncio da música”, lamenta. Contudo, Aroldo Macedo considera que a música não permite que haja vazio em um momento como esse. “A gente aprendeu com meu pai, essa alegria com a música vem dele. Nós que temos a música dentro da gente não sentimos vazio”.

 Fonte:Tribuna

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